Casos de Terapia Infantis · Oferta 8 · Caso 1
Mudança de escola: o que ainda precisamos conhecer?
1. Situação e contexto
Lia tem 7 anos e mudou de escola há três semanas, depois de uma mudança de bairro da família. Na escola anterior, costumava brincar com uma amiga que agora vê com menos frequência. Na nova sala, as crianças já se conheciam. Lia diz que sente falta da amiga e que, quando a turma escolhe grupos, não sabe com quem ficar.
A mãe relata que Lia chora em algumas manhãs antes de sair e pergunta se pode voltar à escola antiga. Não sabemos se o choro acontece todos os dias, quanto tempo dura ou o que acontece em seguida. A professora conta que Lia fica quieta nas atividades em grupo, mas desenha, responde quando é convidada e se aproxima de uma colega em certas tarefas. Não temos observação direta das cenas descritas.
2. Perspectivas dos envolvidos
- Lia: relata saudade e dificuldade para encontrar um grupo. Seu relato é um ponto de partida, com espaço para que ela descreva a experiência com suas próprias palavras.
- Mãe: observa o choro antes da saída e deseja compreender o que está acontecendo. Seu relato não informa como Lia permanece na escola durante o restante do dia.
- Professora: identifica diferenças entre atividades e percebe algumas aproximações. Ainda faltam detalhes sobre como os grupos são organizados e como a turma recebe colegas novos.
3. O que observar e quais informações buscar
Organize uma linha do tempo da mudança e dos episódios relatados. Separe observação, relato e interpretação: “a mãe relata choro antes da saída” descreve uma fonte e uma situação; “Lia não gosta de escola” seria uma conclusão ainda sem base suficiente. Registre também os momentos em que Lia participa, as relações que estão começando e as oportunidades oferecidas pelo ambiente.
- Como eram a rotina e as relações antes da mudança? O que mudou além da escola?
- Em quais dias, horários e situações o choro aparece? O que cada pessoa faz nesses momentos?
- Como são formados os grupos? Há oportunidades de aproximação em duplas ou em atividades escolhidas pela criança?
- O que Lia considera difícil e o que considera agradável na nova escola?
- Que apoios e relações já existem em casa, na escola e fora desses espaços?
4. Perguntas de análise
- Quais informações são observações e quais são relatos de outra pessoa?
- Que contrastes entre situações ajudam a formular perguntas mais específicas?
- Como conhecer a perspectiva de Lia sem transformar hipóteses adultas em perguntas que já sugerem a resposta?
- O que ainda precisamos saber sobre o cotidiano da turma e as mudanças familiares?
- Que interpretações diferentes cabem nos dados disponíveis? Que informação poderia fazer você revisar cada interpretação?
5. Comentário fundamentado para estudo
O caso permite formular perguntas sobre transição, vínculos e condições de participação. A saudade relatada por Lia e a mudança recente são dados relevantes, mas não explicam sozinhos os episódios. Também há participação nos desenhos e aproximação de uma colega: essas diferenças evitam tratar “ficar quieta” como uma característica fixa presente em qualquer situação.
Uma leitura contextual mantém em análise a organização das atividades, as relações entre colegas, a rotina familiar e a experiência da criança. Nesse recorte, a pergunta “como são escolhidos os grupos?” complementa “como Lia se sente?”. Nenhuma delas, isoladamente, oferece uma resposta completa. Anote alternativas e o que seria necessário conhecer para avaliá-las.
Esse exercício dialoga com a perspectiva educacional e de direitos das Referências Técnicas do CFP/CREPOP e com a atenção à participação familiar presente na orientação do CRP-SC. Trata-se de uma aplicação editorial desses princípios gerais a uma vinheta inventada; as fontes não analisaram Lia, não validam este comentário e não determinam uma intervenção específica para o caso.
6. Questões para levar à supervisão
- Como distinguir a demanda apresentada pelos adultos da experiência e das necessidades expressas pela criança?
- Que informações e perspectivas faltam antes de formular uma compreensão mais consistente?
- Como considerar as condições da escola e as relações familiares no estudo desta situação?
- Que referencial teórico estamos usando e quais são os limites da leitura que fizemos?
7. Referências e autoria
CFP/CREPOP — Referências Técnicas para atuação de psicólogas(os) na Educação Básica, edição revisada. Referência para o recorte contextual e de direitos, sem resposta prescrita para esta vinheta.
CRP-SC — Atendimento a crianças, adolescentes e suas famílias. Referência geral sobre participação familiar e avaliação técnica profissional. Consulta: 13/10/2026.
Elaboração editorial com apoio de IA. Autoria técnica, qualificações e revisão profissional: pendentes. O exercício não é um instrumento psicológico validado, não estabelece diagnóstico e não substitui formação ou supervisão.
8. Ficha ilustrada resumida